Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
O polícia e o ladrão
“Pronto, está limpa.” Eduardo Luis se certifica de que a arma está travada e a guarda. Há meses esse mesmo momento se repetia todas as noites. Desde que entrara para o Ronda de Ações Intensivas e Ostensivas, sua vida se transformou. Aprendera tanta coisa em tão pouco tempo. Sua visão de abordagem e tratamento de suspeitos foi o que mais mudou, aprendeu a tratar as pessoas com mais respeito e amabilidade.
Ser policial já não significava maltratar pessoas de baixa renda só pela sua aparência humilde e “duvidosa” como diziam alguns colegas. Desde que fazia parte do “Raio”, Eduardo sentia que a vida no seu bairro e na vizinhança melhorava. Os meliantes já não agiam de forma tão aberta, a população circulava mais tranqüila pelas ruas, mesmo em horas tardias da noite.
Assim como em todas as noites desde que trouxera pela primeira vez uma arma de fogo para casa, Eduardo Luis conferiu todos os processos de segurança antes de ir dormir. No fim da checagem diária, ele se ajoelhou, fez o sinal da cruz e recitou a mesma prece : “ obrigado senhor por todas as graças concedidas. Me dê luz para eu nunca ter que fazer uso dessa arma, amem.”
No dia seguinte o despertador não toucou. Eduardo Luis saiu tarde, mal teve tempo para o café da manhã. Quando assomava a porta de entrada percebeu a movimentação em frente à casa. Um homem desconhecido acabava de assaltar André Luis, seu irmão mais velho, e roubar a sua moto. Foi tudo muito rápido. Quando deu por si, estava em perseguição ao homem desconhecido.
Luzes e sirenes ligadas nada pareciam significar para o meliante. Quando estava perto de alcançar o larápio Eduardo Luis ouviu o primeiro disparo. A bala passou bem perto a seu ouvido! Pelo menos foi o que ele pensou no momento. Assustado com a detonação, Eduardo reduz a velocidade e avalia se sofreu algum ferimento. Tempo suficiente para o meliante se mudar para um automóvel.
Na adrenalina da perseguição a moto roubada, o policial não tinha pensado na hipótese de que o carro que seguia a frente da moto de seu irmão, tivesse ligações com o larápio. De volta a perseguição Eduardo saca e destrava a sua arma. De novo ele faz a prece, “Louvado sejas senhor! Me dê luz para eu nunca ter que fazer uso dessa arma, amem”.
Deus estava distraído no momento do pedido de Eduardo Luis. Sua prece não foi escutada, e cinco minutos depois o policial dispara. Dos suspeitos quem saíam do carro batido no muro, um cai. É o sujeito da moto. O policial pede aos transeuntes que chamem uma ambulância e se prepara para continuar a perseguição aos outros dois meliantes. Depois de caminhar meio quarteirão ele volta atrás.
Eduardo Luis se ajoelha junto ao ferido e tenta estancar a hemorragia em seu tórax. Junta-se gente em redor da cena. Respiração boca-a-boca e massagem cardíaca, tudo é feito. Uma, duas, três vezes e nada. Chega a ambulância, paramédicos, macas, botijas de oxigênio, tudo para nada. “Esse já era” diz um dos paramédicos. Eduardo quase nem escuta, está tendo outra conversa. “Ai senhor, porque não atendeste as minhas preces?”
O ladrão
Claudinho Sentado no ônibus revê mentalmente os planos para por em prática no dia seguinte. Ele, João e Deusidete iam levar acabo uma série de “ações decisivas” como ele chamava. Nunca havia feito algo te tão grande. Fazia um mês que Claudinho tinha começado a roubar. Antes disso ele tinha num emprego, as coisas iam bem na vida. Tinha uma filha linda de um ano e seis meses, uma esposa dedicada e se dava bem com os pais.
Tudo mudou quando a empresa em que trabalhava fechou as portas sem aviso prévio. Simplesmente numa segunda de manhã os funcionários chegaram e encontraram o galpão onde funcionava a gráfica completamente vazio. Foi um duro golpe para as finanças da família. Ele era quem melhor recebia e quem mais contribuía em casa.
Depois de semanas com o jornal de baixo do braço, e batendo de porta em porta a procura de um emprego, Claudinho finalmente anunciou em casa que tinha conseguido. Ia ser vendedor de uma empresa de venda a domicílio. Era uma loja dessas que vende tudo, aparelho Celular, relógio, mp3, aparelho de som para carro. Tudo em segunda mão, com facilidades de pagamento.
Como ele sempre fora uma pessoa honesta, ninguém desconfiou. Quem iria sequer duvidar de Claudinho? O melhor filho do senhor Severino. O caçula que apesar das dificuldades, sempre tinha estudado e ajudado muito a família.Ninguém achou estranho esse emprego caído do céu, com tantas vantagens. O Claudinho era inteligente e tinha estudado.
Nos primeiros tempos o jovem trabalha sozinho. Usa a inteligência e a esperteza, tão elogiadas nos tempos da escola, para criar estratégias de roubo e assalto. Apesar de usar uma arma, ele nunca pensou em realmente disparar e matar alguém. A arma era simplesmente parte da estratégia de intimidação na hora do assalto. Tanto que ele nunca a destravava.
Esse “trabalho” era para ser temporário. Só até “eu conseguir arrumar um bom emprego”, costumava pensar. Mas então as coisas fugiram ao seu controle. Era muito dinheiro entrando em casa. Como iria justificar para a família a saída de um emprego tão bom? E para completar, ele conheceu João e Deusidete. Foi aí que as coisas estragaram. Ele deixou de trabalhar sozinho.
João e Deusidete eram um casal estranho. Ela apesar de pequena parecia mandar e demandar naquele homem de 1,85cm e 95 kg. Eles conheceram Claudinho no dia em que tentavam assaltar uma loja, faziam três semanas. Eles tentaram durante horas e quando estavam indo embora viram de dentro do carro como Claudinho fazia tudo em menos de cinco minutos.
Claudinho ainda se lembra do susto que levou quando saiu da loja de informática. Primeiro achou que fossem policiais a paisana, depois que o iam roubar e matar. No fim o casal explicou que apenas o queriam conhecer porque estavam admirados com as suas habilidades, pois haviam tentado a noite toda arrombar a loja, coisa que ele fez em minutos.
A partir desse dia Claudinho se transformou no mentor do casal. Um professor na arte de bem roubar. Se eles tinham algum lugar em vista para assaltar, Claudinho criava a estratégia e o plano de ação. Tudo correu bem até que João e Deusidete acharam que deveriam tentar eles mesmo criar uma estratégia. Um teste para saber se eles evoluíam.
Claudinho concordou, não ia ser um roubo para o negócio, ia ser quase uma diversão, um jogo. O plano tinha falhas, mas ele achou melhor executar para mostrar na prática quais eram os problemas, por isso não disse nada. Iam roubar uma moto, qualquer moto, de qualquer pessoa. Era suposto ser um plano aplicável em qualquer situação.
No dia do roubo da moto Claudinho soube da surpresa, ia ser ele a executar o plano. Ele ainda tentou argumentar , fazê-los desistir, mas na conseguiu. Mudaram o plano, iam o três ao mesmo tempo, para o caso de algum precisar de ajuda. no momento em que saíram co carro Claudinho teve um mau pressentimento, mas ignorou-o, não queria parecer fraco.
Foi tudo muito rápido. Eles conseguiram roubar a moto, mas quando ele saía da frente do portão da casa do dono da moto, alguém lhe deu voz de prisão. Assustado ele acelerou, fugiu. João e Deusidete já tinham saído, iam mais a frente no carro. Momentos depois Claudinho ouve as sirenes e vê pelo espelho retrovisor um policial motorizado do “ronda”.
Um tiro se ouve. Do carro dispararam contra o policial. “Ele deve estar ferido, reduziu.” grita Deusidete. Claudinho abandona a moto e entra no carro. “esse policial tem sete vidas é?” pergunta João momentos depois, o policial voltou a perseguição. Descontrolado João bate o carro no murro de uma casa. O trio sai do carro e Deusidete dispara para fazer parar o policial.
Claudinho promete sair do mundo do crime se sobreviver. Então soa uma detonação diferente da da arma de Deusidete. Quase no mesmo instante ele sente a dor e cai. Ele sente alguém por perto, mas ñ presta atenção. Só ouve ao longe uma musica tocar.
“... Bateu de frente/ Um bandido e um/ Sub-tenente lá do batalhão/ Foi tiro de lá e de cá/ Balas perdidas no ar ...”
Terça-feira, 17 de Março de 2009
Hermínia
Marcos pediu-lhe em namoro a moda antiga. Depois de duas semanas de encontros, jantares e passeios ele perguntou: “você quer namorar comigo Mínia?”. Hermínia ficou momentaneamente especada a olhar para ele, sentindo a musicalidade do sotaque brasileiro embalar-lhe os pensamentos. Pensando ter ouvido mal ela pediu-lhe que repetisse, e ele assim o fez. Depois de ter a certeza de ter ouvido a coisa certa, Hermínia titubeio e calou-se. Ficou assim nesse pasmar alguns minutos.
Quando, já convicto de uma resposta negativa, Marcos se preparava para ouvir o discurso do “ é melhor sermos só amigos”, eis que ela responde placidamente: “sim”. Agora era a vez dele entrar em choque. Soltou o ar que nem se tinha dado conta de prender e sorriu. Ficaram ainda algumas horas no restaurante, saboreando a estranha mistura entre a leveza do sentimento confessado e o medo de dar os passos seguintes. Para disfarçar o nervosismo Hermínia falava, falava muito sobre praticamente tudo, já Marcos só ouvia. Duas horas depois ele levanta-se, contorna a mesa e dá-lhe um beijo.
As amigas quando souberam do namoro reagiram das mais variadas maneiras. Houve quem desse os parabéns e desejasse tudo de bom, ma também houve quem dissesse que o rapaz não prestava só por ser brasileiro, e ainda quem desse um prazo de semanas até que ele se cansasse. Deu para descobrir as verdadeiras amigas! Ao fim de alguns meses ela apresentou-o à mãe e as tias com quem morava. Correu tudo mal, faltou luz no dia, ela queimou o jantar, a tia Madalena deixou cair o pudim de laranja e a mãe torceu o pé.
Herminia não era uma pessoa supersticiosa, mas depois de tantos acidentes ligou para o Marcos convicta de que aquele dia era um dia de azar. Para seu desespero ele recusou-se a remarcar o jantar para outro dia e pior, avisou que chegaria na hora combinada, ou seja dali a uma hora. E de facto, uma hora depois ele lá estava: recipiente com concons e bananas fritas numa mão, pote de gelado napolitano na outra e garrafa de vinho branco de baixo do braço. Foi uma noite fantástica, e ao fim de umas horas de boa comida e conversa agradável, mais ninguém se lembrava dos azares.
No aniversário de um ano Marcos convidou Hermínia à ir com ele à sua cidade natal, no sul do Brasil para conhecer o seu pai. Ela aceitou impulsivamente, mas passou a viagem toda a martirizar-se. “ E se ele não gosta de mim? E se ele for preconceituoso?” Muitos e ses depois, eles chegaram a Florianópolis. Assim como aconteceu com Marcos Hermínia sentiu uma simpatia quase instantânea pelo senhor George. Foram duas semanas de puro êxtase, em que passou a conhecer mais a fundo o namorado.
Faziam dois anos naquele dia, 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Mas Hermínia não sabia se devia comemorar. Há alguns dias que notava um comportamento diferente por parte do namorado. Ela não queria pensar no que se estaria a passar, ou melhor, ela tentava não pensar! Já tinha imaginado tudo, ele tinha outra certamente. Aqueles telefonemas estranhos, os segredos, as saídas injustificadas, tudo isso eram evidências de que havia outra pessoa no meio deles. E agora mais essa, Marcos estava atrasado 2 horas!
Hermínia levantou-se hirta de fúria, pagou a conta e saiu. Fez todo o caminho de volta para casa a praguejar e a injuriar o namorado e a tal amante, prometendo a si mesma que a primeira coisa que ira fazer mal o visse seria acabar com tudo. Encontrou a casa as escuras, “ mas uma da EMAE com certeza”. Mas quando procurava o isqueiro alguém acendeu a luz. A sala estava cheia de flores! Marcos veio da cozinha, ajoelhou-se e entregou-lhe um anel, “ você casa comigo Mínia?”Mínia esqueceu as desconfianças, os medos e as pragas. Era tudo um plano, um plano para a fazer feliz!
Enquanto Hermínia é feliz, vamos sonhar em ser ou ter um Marcos desses, produzido nacionalmente? Feliz Dia dos Namorados! Que são Valentim nos abençoe a todos!
“Pobre menina rica”
Porquê ou para quê continuar a viver? Para ver meu mundo desabar toda a vez que o meu pai é internado numa clinica de desintoxicação e reabilitação para viciados em cocaína? Ou para ver a minha mãe deitar-se pelos cantos da casa com o jardineiro ou com os seguranças?
Ontem o amigo do meu pai me ofereceu maconha, disse que era melhor eu começar com algo leve. O motorista passou a mão na minha perna e comentou que eu já tava em tempo de requerer serviço completo. Mal vi minha mãe, era dia de conferir a criadagem. Curioso que até o cozinheiro aqui é homem, não há mais mulheres na casa sem sermos eu e a mãe.
Hoje estou decidida. Já deu, não quero mais ter que ver essas coisas acontecerem na minha vida. Desde os 13 anos que venho fugindo dos empregados da minha casa. Quatro anos em que não pude dormir nenhum dia sem a porta trancada. Quatro anos tentando manter a salvo o que a minha mãe chama de “ membranazinha inútil”.
Ao contrário das outras vezes, não vou mais tentar atirar-me do terraço. Já sei que tenho medo de altura. Hoje vou-me trancar casa de banho do meu quarto e vou cortar os pulsos. Já roubei uma das facas de 150 dólares da cozinha. Ninguém sentirá falta dela, a não ser Jean Pierre, o cozinheiro francês. Daqui a cinco dias alguém vai se lembrar de me procurar, aí então eu já terei partido.
Cortei o pulso esquerdo. Doeu, mas foi uma dor boa. Cada vez sai mais sangue, e cada vez mais me sinto melhor. Descobri que não tenho tanto medo assim de sangue. Essas são as últimas palavras que escrevo, vou cortar o pulso direito. Espero que o céu seja tão bonito como as imagens que vi na capela Sistina, quando visitamos o Vaticano no ano passado.
Esse texto é fictício, mas podia ser real… vamos dar mais atenção aos filhos sobrinhos e irmãos. Dinheiro não é suficiente se não houver limites, princípios sólidos, ética e moral.

foto: internet
Marta
Depois de ver a mulher levantar-se entorpecida e confusa, Reinaldo começa a destilar seu rio de veneno. Primeiro ele ataca a família dela, falando de como são todos “ uns pobres que não têm onde cair mortos, uns desgraçadinhos sustentados por mim!”, depois ela torna-se o centro de toda a sua injustificada fúria. Depois de uma três horas e meia, de insultos, ofensas, agressões psicológicas e muito whisky, ele sucumbe ao álcool e adormece, praticamente desmaiado.
Eram quase seis horas da manhã. Marta olhou para a cama, tentada a continuar o sono interrompido, mas sabia que não podia. Resignada dirigiu-se vagarosamente à casa de banho, só teria tempo para um duche rápido. Uma vez lá dentro olhou-se ao espelho: “ pelo menos dessa vez ele só gritou. Não vou precisar de perder tempo a disfarçar hematomas com a maquilhagem. Pelo menos hoje não há dores a esconder”
Há dois anos que essa situação se repetia, mas nem sempre as coisas tinham sido assim. Quando se conheceram há 4 anos Reinaldo era um promissor jovem executivo, nascido em berço de ouro, ele tinha vindo dos melhores colégios e faculdades privadas do país e esperava alcançar os mais altos cargos na multinacional em que trabalhava. Nem que fosse pelos contactos que o seu pai mantinha com os donos da empresa.
Marta também era executiva nessa mesma empresa, mas ao contrário dele, ela tinha vindo do nada, sempre fora aluna bolsista nos melhores colégios e faculdades publicas do país, por mérito próprio. E foi também por seu próprio mérito que tinha entrado na empresa e chegado aonde chegou: vice-presidente de uma das melhores e maiores empresas do mundo na área dos petróleos. Ela estava onde estava, porque merecia.
Quando se conheceram Reinaldo era um doce de pessoa, sempre simpático, extrovertido e gentil. Foram esses predicados que a tinham feito apaixonar-se por ele. Mas isso mudou bruscamente logo depois que voltaram da lua-de-mel. Marta tinha sido promovida na empresa, Reinaldo não. Desde aquele fatídico dia, tudo se desmoronou na relação deles. Talvez como forma de escape para a frustração, ele começou a beber descontroladamente.
E nos momentos em que se perdia na bebida descontava suas mágoas na esposa, revelando-se um pequeno déspota machista e chauvinista. “ mulher não tem que trabalhar! Lugar da mulher é na cozinha e na cama!” essas e outra pérolas Marta tinha que ouvir todos os dias. Apesar de tudo havia os momentos de quietude no meio da tempestade, momentos em que ele sóbrio pedia desculpas, e voltava a ser aquele ser gentil, educado e apaixonado que ela conhecera.
Era a esses momentos que marta se apegava com todas as forças. Era por esses momentos que não o abandonava. Embora sua vida pessoal fosse um caos, a vida profissional era um perfeito “ mundo perfeito”. Tinha galgado os degraus dentro da empresa sempre de forma limpa, resultado de uma mistura entre trabalho duro, inteligência e integridade.
Talvez ainda não haja tantas mulheres assim no poder, mas há certamente muitas que sofrem de agressão física e psicológica todos os dias, durante anos. Por isso ainda é preciso que haja um dia internacional da mulher, para que os homens saibam que nós podemos fazer tudo quanto eles fazem, e de salto alto!
Sexta-feira, 20 de Junho de 2008
Saudade dos verdadeiros amigos

Hoje acordei embriagada pela saudade,
quase me afogando em pura nostalgia.
Hoje desmoronei diante da verdade,
e senti falta daquela nossa velha magia.
Hoje não acordei inteira, era metade,
metade do que sou todo dia, metade alegria.
Hoje mais que sempre perdi a liberdade,
e fiquei presa na minha melancolia.
Hoje vim só para vos jurar amizade,
e vos lembrar de nossos tempos de folia.
Hoje me pareceu mentira a minha realidade,
e percebi que me perdera na minha fantasia.
Hoje experimentei com grande intensidade,
esse sentimento que nos paralisa, anestesia.
Hoje me curvei sem saída, sem possibilidade,
diante da minha saudade culposa, sem anistia.
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Domingo, 13 de Abril de 2008
Poderei algum dia esquecer
A dor que me fizeste?
Poderei algum dia perdoar
A mágoa que me causaste?
Esquecer, jamais conseguirei
Pois foi muito o que sofri
Perdoar, já te perdoei
Pois maior foi o amor que senti
Agora já não tem importância
Já não sinto nada por ti
É como um sonho de infância
Que fico a ver partir.
Foi o que tinha que ser
Não me arrependo um só minuto
E a dor de não mais te ter
Já se desvaneceu a muito
Não me esqueci, mas perdoei
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
O mundo contemporâneo
Com vários problemas ambientais
Que são uma parte da nova realidade
Assim como as guerras intercontinentais
Em pleno século vinte um
Sabem que há gelo em Marte
Mas a fome mata mais que um
E a sobrevivência é uma arte
Faixa de Gaza? Conflitos.
Síria, Irão? Atentados
Cidadãos vêem-se aflitos
Com seus direitos violentados
Porquê tanta morte?
Porquê tanta fome?
Será preciso ter sorte
Para que a paz se forme?
Para quê tantas armas?
Para quê descobrir o universo
Se faltam pães e camas
Perdi-me!
Assim, sem mais nem menos
Como quem se perde em aldeias
De riachos pequenos
Perdi-me das velhas intrigas
Dessa velha sociedade
Como quem se perde de amigas
Que destilam maldade
Perdi-me nos meus pensamentos
Como se estivesse no deserto
Numa estrada só de cruzamentos
Sem um só caminho certo
Perdi-me com a visão humana
Desse mundo luxurioso
De falsa gente puritana
Onde o mal é precioso
Governantes grandes pensadores
Quando começam “grandes” guerras?
Agem dessa forma petulante
Para conseguir mais terras?
Em que pensam eles afinal
Quando invadem nações alheias?
Fazendo um massacre total
Até de pequenas aldeias
Onde param os seus pensamentos
Quando dizimam cidades?
Quando provocam sofrimento
Sem qualquer necessidade
Em que pensam esses governantes
Quando matam milhares de inocentes
Quando eles se tornam meliantes
Com esse comportamento indecente
Que pensam vocês governantes,
Quando destroem o mundo?
Se são de facto seres pensantes
Pensem apenas por um segundo.





